A Associação Amigos do Autista (AMA), localizada no Caxambu e atuando há 13 anos em Jundiaí, anunciou nas redes sociais que poderá encerrar suas atividades por falta de recursos. A entidade atende cerca de 60 crianças e adolescentes e acumula dívidas diante da ausência de apoio financeiro e institucional do poder público.

A situação gerou forte repercussão entre familiares, apoiadores e seguidores da instituição. Nos comentários da publicação, moradores criticaram o prefeito Gustavo Martinelli e a primeira-dama Ellen Martinelli, alegando que compromissos assumidos durante a campanha eleitoral não teriam sido cumpridos. Enquanto uma entidade consolidada corre o risco de fechar as portas, a Prefeitura divulga a implantação da chamada “Casa Girassóis”, projeto que, segundo anúncio oficial, contará com mais de R$ 4 milhões em recursos de emendas parlamentares.

“Que tristeza saber disso. A AMA merecia outro tratamento da Prefeitura. Na campanha sabemos o que foi prometido e agora as costas foram viradas. Essa é a importância que as pessoas com deficiência têm em Jundiaí”, escreveu Kelly Melo.

Outra moradora, Lilian Molena, questionou a destinação dos recursos. “Não pode dividir o dinheiro vindo por emenda para o Girassol com essa instituição que já existe? Difícil entender”, comentou.

A Casa Girassóis foi anunciada no último fim de semana pelo prefeito e pela primeira-dama, mas ainda não possui data para início das atividades. O projeto deve funcionar no prédio da antiga unidade descentralizada do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), na Vila Aparecida. O espaço atendia a população desde 2024 e teve os serviços encerrados pela atual gestão, ampliando a demanda reprimida por atendimento odontológico especializado.

Enquanto o novo equipamento segue apenas como promessa, sem previsão de funcionamento, a administração municipal não apresenta medidas para socorrer uma instituição que já presta atendimento à população há mais de uma década, incluindo acolhimento gratuito para crianças e adolescentes de até 17 anos. O contraste entre o anúncio de novos projetos e a dificuldade enfrentada por entidades já existentes levanta questionamentos sobre as prioridades da gestão municipal.